Coletâneas

A arte da meditação

Introdução: "Numa tentativa de se evadir dos seus conflitos, o homem tem inventado diversas formas de meditação, porém, todas elas se baseiam quer no desejo, na vontade ou na ânsia por obter algo, o que implica conflito e o emprego de esforço a fim de alcançar determinados resultados. Esta luta consciente e deliberada sempre se circunscreve nos limites de uma mente condicionada, que não possui liberdade. Todo o esforç empregue na meditação constitui a sua própria negação. A meditação consiste no término da acção do pensamento; só então pode chegar a existir toda uma dimensão intemporal."

Páginas: 24

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Introdução: "Espero que todos ouçam as minhas palestras sem preconceito, e não pensem que estou a tentar atacar a vossa sociedade. Quero fazer outra coisa muito diferente. Quero estimular o desejo da verdadeira busca, e isto, penso eu, é tudo o que um professor pode fazer. É tudo o que quero fazer. Se eu puder despertar esse desejo em vocês, terei cumprido a minha tarefa, porque desse desejo chega a inteligência, aquela inteligência que está livre de qualquer sistema e de qualquer crença organizada."


Páginas: 63


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Trecho: "A liberdade não é uma reacção; a liberdade não é uma escolha. É pretensão do homem achar que é livre por poder escolher. A liberdade reside na pura observação sem direcção, sem medo de castigo nem recompensa. A liberdade é isenta de motivo; a liberdade não se encontra no fim da evolução do homem, mas está presente desde o primeiro passo da sua existência. Por meio da observação, podemos aperceber-nos da falta dessa liberdade. A liberdade reside na consciência sem escolha da nossa existência e actividade diárias. O pensamento é tempo. O pensamento nasce da experiência e do conhecimento, inseparáveis que são do tempo e do passado. O tempo, é o inimigo psicológico do homem. Sendo as nossas acções baseadas no conhecimento - no tempo, portanto -o homem é sempre um escravo do passado. O pensamento é sempre limitado; daí vivermos em constante conflito e luta. Não existe evolução psicológica."


Páginas: 219


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Trecho: "Oxalá fossemos honestos connosco próprios. A honestidade, assim como a humildade, é da maior importância. A humildade cultivada pelo homem respeitável torna-se de todo em todo fútil pois faz parte da vaidade. Mas a humildade nada tem que ver com a vaidade nem com o orgulho. Trata-se do estado de espírito que diz: "eu não sei mas vamos investigar", sem dizer jamais- "eu sei"."


Páginas: 100


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Trecho: "A meditação é uma forma de transformar completamente as taras e obsessões do Homem. O Homem acha-se enredado em princípios e ideologias que o impedem de pôr cobro ao conflito existente entre ele próprio e o outro: a ideologia do nacionalismo, a ideologia da religião e a sua própria vaidade obstinada têm vindo a destruí-lo. E esse processo destrutivo está a avançar pelo mundo todo."


Páginas: 48


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Trecho: "Que havemos de fazer? Que é que farão? Perguntaram como haverão de decidir já, sendo ainda tão novos. Não é que tenham de decidir, mas temos de ter consciência do que está a ocorrer no mundo, e da vossa função, da vossa responsabilidade para com o mundo. Devem ter consciência de vós e do vosso relacionamento com o mundo, e das vossas relações com os demais, certo? E em que consiste esse vosso relacionamento com os outros, como é ele de facto? Será que possuímos um relacionamento com os outros? E se possuímos, o que significa o termo relacionamento? Aprofunde isso, por gentileza."


Páginas: 37


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Sinopse: Este livro reúne seis entrevistas a Krishnamurti conduzidas por Lakshmi Prasad entre Jan. de 81 e Dez. 85, entrevistas essas que evidenciam um carácter completamente único. A abordagem de Prasad e a sua capacidade de formulação das questões no essencial ultrapassam largamente o campo de investigação habitual dos jornais e revistas. Além disso, raros são os jornalistas que tenham tido o privilégio de entrevistar Krishnamurti com regularidade. Contudo, Prasad não é um jornalista no sentido estrito do termo, tendo, ao invés, sidochefe de redacção do Andhra Prabha Weekly, um jornal que, por partilhar de um vivo interesse nos ensinamentos de K, lhe sugeriu certo dia que empreendesse uma série de entrevistas com ele. Com efeito, Prasad vinha já seguindo as suas conferências havia alguns anos e tinha conhecimento da maior parte das suas obras. Na verdade é como se ele tivesse sido magnetizado pelo carisma de Krishnamurti e isso tivesse tornado o seu encontro com ele uma consequência inevitável.
Podemos constatar pela leitura destas entrevistas a extrema diversidade de questões que foram tratadas e a não menor clareza e simplicidade com que K. responde às perguntas de carácter pertinente, uma clareza que lança nova luz sobre vários aspectos dos seus ensinamentos.


Páginas: 64


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Trecho: "Meditação é descobrir se o cérebro, com todas as suas atividades e experiências, pode ficar absolutamente quieto. Não forçado, pois, no momento em que você o força, há dualidade. A entidade que diz: "Gostaria de experiências maravilhosas; por isso, preciso forçar o meu cérebro a se aquietar", jamais o fará."


Páginas: 145


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Trecho: "Cada um tem que estar cônscio do processo da ignorância, as ilusões que a pessoa criou. O intelecto não pode guiá-lo para fora deste presente caos, confusão e sofrimento. A razão deve se esgotar, não por retirada, mas pela compreensão integral e amor da vida."


Páginas: 42


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Trecho; "Você sabe em que consiste a inteligência? Na capacidade, seguramente, de pensar livremente, sem medo, sem uma fórmula, de forma que você comece a descobrir por si o que é real, o que é a verdade; mas se você viver assustado você jamais será inteligente."


Páginas: 26


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Trecho: "Mas, quando ouvimos falar em viver sem esforço, queremos viver assim, desejamos alcançar um estado em que não haja luta nem conflito; tornamo-lo, pois, esse estado, nosso alvo, nosso ideal, e por ele lutamos; e desde esse momento perdemos a alegria de viver.
Estamos de novo empenhados em esforço, luta. O objeto da luta varia, mas toda luta é essencialmente a mesma. Um luta pela promoção de reformas sociais, ou para achar Deus, ou para criar melhores relações no lar ou com o próximo; outro senta-se à margem do Ganges ou se prostra devotamente aos pés de um guru - etc. etc. Tudo isso representa esforço, luta. O importante, por conseguinte, não é o objeto da luta, porém, sim, compreender a própria luta."


Páginas: 211